
Investigação aponta articulação interestadual do crime organizado, com ameaça explícita de “bombardear” a cidade; operação já soma 129 presos e bloqueio milionário de recursos.
Uma investigação da Polícia Civil revelou que uma facção criminosa com atuação em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, planejava ataques com uso de granadas contra policiais na cidade. O plano foi descoberto no âmbito da Operação Destroyer, que cumpriu, nesta terça-feira (14), 61 mandados de prisão temporária em quatro estados: Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso.
De acordo com as apurações, um dos suspeitos apontados como liderança da organização criminosa chegou a afirmar, em áudio interceptado, que pretendia “bombardear os quatro cantos da cidade”, em uma clara ameaça às forças de segurança. A fala evidencia o nível de ousadia e a escalada de violência planejada pelo grupo.
A ofensiva policial teve grande impacto em território goiano. Das 51 prisões realizadas no estado, 44 ocorreram em Rio Verde, epicentro das ações criminosas investigadas. O volume de detidos foi tão significativo que exigiu o uso de um ônibus para transporte até a Casa de Prisão Provisória (CPP) do município.
As investigações tiveram início em julho do ano passado, após a polícia receber informações de que a cidade estaria sob domínio da facção. Ao longo das apurações, o grupo passou a ser associado a crimes graves, incluindo cinco homicídios consumados, duas tentativas de assassinato e ao menos seis episódios de tortura.
Durante as ações, foram apreendidas nove armas de fogo e duas granadas, reforçando a materialidade do plano violento em curso. Segundo o delegado responsável pelo caso, Jorge Mesquita, a escolha de Rio Verde como base de atuação não foi aleatória. A localização estratégica, próxima ao Mato Grosso e com conexão facilitada ao Sudeste, além do crescimento econômico da região, teria atraído o interesse da organização criminosa.
A operação também revelou a robusta estrutura financeira do grupo. O tráfico de drogas foi identificado como a principal atividade ilícita, mas há indícios de envolvimento com lavagem de dinheiro, sequestros e outros crimes. A Justiça autorizou o afastamento de sigilos bancários e o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 10,5 milhões.
No balanço geral da Operação Destroyer, as forças de segurança já efetuaram 129 prisões e identificaram a movimentação de mais de R$ 237 milhões pelos investigados. Cerca de 250 policiais civis participaram da ação, que contou ainda com apoio aéreo para monitoramento e deslocamento das equipes.







