
Candidato a deputado estadual diagnosticado com TDAH defende adoção de valores adicionais a salário de docentes da rede pública como forma de fazer com que profissionais do setor participam de programas de formação especializada_
Quando se fala em educação voltada para as necessidades específicas das populações neurodivergentes, uma das maiores preocupações é a forma de incentivo a ser dado aos professores que desejem se engajar nesse campo das atividades pedagógicas. Em Goiás, a maior parte dos programas existentes tem foco no custeio da formação em vez de incentivos salariais diretos. O preenchimento dessa lacuna é considerado estratégico para a promoção de melhorias nesse atendimento no estado.
As iniciativas existentes em Goiás demarcam justamente esse limite: incentivo à formação e baixa adesão dos profissionais. Um deles é iniciativa da Universidade Federal de Goiás (UFG), na forma de um programa de pós-graduação latu sensu de Residência em Educação Inclusiva. Por meio do programa, recém-graduados atuam em duas frentes: na prática da educação básica, em ambiente de sala de aula, enquanto realizam formação teórica e pesquisas em paradigmas de educação inclusiva.
Já o Instituto Federal de Goiás (IFG) e o Instituto Federal (IF) Goiano possuem em seu portfólio cursos na modalidade à distância, além de um curso presencial de Alfabetização de Crianças com Autismo, ministrado no câmpus Luziânia do IFG.
O principal programa da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) gira em torno dos ciclos de formação, instrumentalizados pelas salas de recursos multifuncionais, onde profissionais de portfólio curricular específico para a área atuam na modalidade Atendimento Educacional Especializado (AEE). Em Goiânia, a pasta municipal do setor prevê um bônus entre R$ 2.500 mil e R$ 10 mil para custeio de aperfeiçoamento e pós-graduação.
Para o empresário canedense e candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) Samuel Carvalho (Republicanos) – que tem na defesa dos direitos dos neurodivergentes sua principal bandeira de campanha -, há uma concentração no custeio da formação. “É legítimo, mas o profissional de educação precisa ter um incentivo direto para escolher uma especialização e se engajar na educação inclusiva para neurodivergentes”, salienta.
Como proposta, o postulante sugere a criação de uma modalidade de Gratificação Adicional de Educação (Gratiedu), modalidade já existente no âmbito da Seduc-GO para cargos de chefia, especialmente voltados para professores que desejarem se engajar na educação para neurodiveergentes.
Carvalho cita ainda a possibilidade de compor uma gratificação, sob a forma de um tipo especial e mais amplo de Gratiedu, inspirada na futura aplicação do Adicional Nacional de Inclusão Educacional, iniciativa pendente de análise pelo Congresso Nacional, registrada sob o Projeto de Lei nº 4.622/2025. “Esse PL é bastante adequado, porque cria uma gratificação nacional para docentes especializados em Educação Inclusiva. Caso venha a ser aprovado, será um avanço, e poderá servir de base para que os deputados estaduais goianos inovem na matéria”, avalia.
Samuel destaca, por fim, a importância da valorização dos professores para a promoção e aperfeiçoamento da cidadania atípica em Goiás. “Nenhum modelo educacional pode sequer começar sem oferecer condições de trabalho e incentivos pessoais diretos aos professores. Goiás avançou muito na primeira parte, falta fazer o dever de casa na segunda parte”, conclui.
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