
Assembleia Legislativa aprova, por 19 votos a 3, suspensão das sessões plenárias e reuniões de comissões às quintas-feiras até o primeiro turno das eleições.
A Assembleia Legislativa de Goiás decidiu reduzir o ritmo dos trabalhos durante o período eleitoral. Por 19 votos a 3, os deputados aprovaram a realização de sessões plenárias e reuniões de comissões apenas às terças e quartas-feiras, deixando de manter atividades regulares às quintas-feiras até o primeiro turno das eleições.
A decisão ocorre em pleno período de campanha eleitoral e atinge diretamente uma Assembleia em que grande parte dos parlamentares está envolvida na própria disputa eleitoral. Dos 41 deputados estaduais, 37 disputam a reeleição, segundo informações divulgadas pela própria Casa.
A redução do calendário representa, na prática, uma adaptação da rotina parlamentar à agenda política dos deputados. Com os parlamentares divididos entre as atividades legislativas e as campanhas nos municípios, a concentração dos trabalhos em dois dias da semana facilita a participação dos candidatos em compromissos eleitorais pelo interior de Goiás.
A medida, entretanto, abre espaço para uma discussão inevitável sobre as prioridades dos representantes eleitos. O cidadão continua trabalhando normalmente durante o período eleitoral, enquanto seus representantes reduzem a agenda presencial justamente quando disputam a renovação dos próprios mandatos.
A decisão também contrasta com a posição adotada pela Assembleia no início do segundo semestre. Naquele momento, a Mesa Diretora havia anunciado que manteria o ritmo de votações durante a campanha, inclusive com a possibilidade de participação remota dos parlamentares para garantir a continuidade das atividades legislativas.
O cenário mudou com o avanço da campanha. A justificativa política é compreensível: eleições exigem presença nos municípios, reuniões com lideranças e mobilização das bases. Mas o Legislativo precisa encontrar equilíbrio para que a disputa eleitoral não comprometa sua função institucional.
A Alego tem uma agenda relevante de projetos e matérias em tramitação. No primeiro semestre, os deputados apreciaram mais de 1,3 mil matérias em 74 sessões, enquanto a Mesa Diretora recebeu 1.855 processos até o fim de junho.
A redução das atividades, portanto, não significa necessariamente paralisação do Legislativo. As sessões de terça e quarta-feira continuam mantidas, e matérias consideradas prioritárias poderão seguir sendo analisadas e votadas.
Politicamente, porém, a decisão deixa uma mensagem clara: a eleição passou a ocupar o centro da agenda dos deputados estaduais. A Assembleia continua funcionando, mas o calendário parlamentar foi ajustado à realidade das urnas.
O episódio também expõe uma característica recorrente dos anos eleitorais: a fronteira entre o exercício do mandato e a busca pela renovação do mandato fica naturalmente mais estreita. Cabe aos deputados demonstrar que a campanha não será utilizada como justificativa para reduzir a atenção às demandas da população.
No fim das contas, a decisão é legal e administrativamente justificável, mas politicamente merece acompanhamento. O eleitor que vai decidir quem permanece na Assembleia também tem o direito de saber quanto seus representantes estão trabalhando enquanto pedem novamente o seu voto.







