
Viúva de Amilton Filho assumiu a candidatura após a morte do deputado e passou a ser apontada por especialistas eleitorais como possível surpresa na disputa
A reta final das eleições para a Assembleia Legislativa de Goiás ganhou um novo elemento com a entrada de Ana Caroline Guimarães de Oliveira Faria, a Carol do Amiltinho, na disputa. Escolhida pelo MDB para substituir o marido, o deputado Amilton Filho, morto em um acidente automobilístico em 26 de setembro, ela passou a ser considerada nos bastidores como uma das candidatas com potencial para alcançar uma das maiores votações do Estado.
A candidatura foi oficializada pelo MDB após conversas com familiares e lideranças políticas de Anápolis. O Ministério Público Eleitoral também se manifestou favoravelmente ao registro, apontando não ter identificado impedimentos na documentação apresentada. A decisão final sobre o registro cabe à Justiça Eleitoral.
A movimentação ocorre em circunstâncias atípicas. Amilton Filho era apontado por especialistas em eleições proporcionais como um dos nomes competitivos para a Assembleia e vinha construindo uma base política principalmente em Anápolis e no interior.
Com a morte do parlamentar, o cenário mudou. Carol decidiu assumir a candidatura e passou a carregar o nome político construído pelo marido ao longo de sua trajetória.
Projeções colocam Carol no centro da disputa
Nos bastidores eleitorais, a possibilidade de uma votação expressiva para Carol ganhou força nos últimos dias. Avaliações citadas por especialistas apontam que ela poderia alcançar uma votação na faixa de 80 mil a 100 mil votos.
No mesmo cenário, os deputados Issy Quinan (MDB) e Paulo do Vale (PSD) aparecem como nomes competitivos para figurar entre os mais votados, com estimativas na faixa de 65 mil a 70 mil votos. Trata-se, porém, de projeções de especialistas, e não de pesquisa eleitoral.
A candidatura de Carol também ganhou força a partir da manutenção da estrutura eleitoral construída por Amilton. O nome, o número e a fotografia do deputado continuarão aparecendo na urna eletrônica, já que a substituição ocorreu depois da preparação dos equipamentos. Os votos destinados ao número 15100 serão contabilizados para a nova candidata, conforme as regras eleitorais.
Pesquisa mostra força em Anápolis
Um levantamento do Instituto Cerrado realizado em Anápolis entre 29 e 30 de setembro colocou Carol na liderança da disputa pela Assembleia no município, com 22,63% das intenções de voto.
O resultado aparece poucos dias depois da substituição de Amilton e indica a manutenção, em parte, da base eleitoral associada ao ex-deputado. Antônio Gomide aparece em segundo, com 14,66%, enquanto Graciele da Arte Trigo registra 12,81%. A pesquisa ouviu 764 eleitores e tem margem de erro de 3,5 pontos percentuais.
Uma candidatura construída em poucos dias
A decisão de Carol ocorre em meio ao processo de luto pela morte do marido. Os dois estavam juntos havia 21 anos, sendo 13 de casamento, e têm dois filhos.
Ao aceitar a candidatura, ela afirmou que não pretende substituir Amilton, mas preservar os compromissos políticos assumidos por ele e dar continuidade ao trabalho construído pelo deputado.
A escolha também foi respaldada pela direção estadual do MDB. O presidente do partido em Goiás, Haroldo Naves, afirmou que Carol está filiada à legenda desde 2025 e que não havia impedimento legal para a candidatura.
Com a eleição marcada para este domingo (4), Carol chega às urnas após uma das campanhas mais incomuns da disputa proporcional em Goiás. Em poucos dias, deixou a condição de eleitora e esposa de um candidato para assumir a própria candidatura e entrar no radar das projeções para uma das maiores votações da Assembleia Legislativa.





