
Ministra afirmou estar profundamente triste e constrangida com os episódios recentes envolvendo a Corte e pediu desculpas aos brasileiros
A ministra Cármen Lúcia afirmou nesta terça-feira (15) que os acontecimentos recentes envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) provocaram um “mal-estar cívico” na população brasileira. A declaração ocorreu durante a sessão extraordinária que analisou questões relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Em uma manifestação marcada por críticas à exposição da Corte, Cármen Lúcia disse estar em estado de “profunda consternação e tristeza”. Segundo a ministra, o Poder Judiciário deveria transmitir segurança e tranquilidade à sociedade, mas os episódios recentes produziram o efeito contrário.
“Eu me sinto um pouco até envergonhada”, afirmou Cármen Lúcia, ao comentar a repercussão dos conflitos internos do tribunal. Ela também pediu desculpas à população brasileira pela situação.
A ministra destacou ainda que o país está a menos de 20 dias das eleições e lamentou que a atenção da sociedade esteja concentrada em disputas e questões internas do Supremo.
Crítica à exposição da Corte
Cármen Lúcia também criticou o que classificou como uma exposição excessiva dos acontecimentos envolvendo os ministros do STF. Para ela, a chamada “espetacularização” dos episódios prejudica a percepção da sociedade sobre o funcionamento do Judiciário e o papel institucional da Corte.
A ministra ressaltou que sua manifestação era pessoal e que a representação institucional do Supremo cabe ao presidente do tribunal, Edson Fachin.
A fala ocorreu em uma sessão marcada por tensão entre ministros, com divergências sobre a condução dos procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. O julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Votação dividida
Cármen Lúcia acompanhou o entendimento de Fachin pela análise separada dos casos envolvendo Moraes e Mendonça. Também votaram pela separação Luiz Fux e o próprio Mendonça.
Do outro lado, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam que os casos fossem analisados conjuntamente.
Com o pedido de vista de Flávio Dino, o Supremo não concluiu a discussão sobre a forma de tramitação dos processos.
A manifestação de Cármen Lúcia acrescentou uma dimensão institucional ao debate, ao reconhecer publicamente o impacto dos recentes episódios sobre a imagem do Supremo e sobre a percepção da população em relação ao Poder Judiciário.






