
Número representa crescimento de 57% em relação a 2022; candidaturas também avançam em partidos de diferentes campos políticos.
As eleições de 2026 registram um número recorde de candidaturas de pessoas LGBT+. Até o momento, são 514 nomes identificados, um crescimento de 57% em relação a 2022, quando foram registradas 328 candidaturas desse segmento. O levantamento mostra também uma maior distribuição dessas candidaturas entre os partidos.
O crescimento não ocorreu de maneira uniforme pelo país. O Norte passou de 22 para 53 candidaturas, enquanto o Centro-Oeste saltou de 41 para 77. No Nordeste, o número aumentou de 73 para 133. Já o Sudeste manteve 161 candidaturas, segundo os dados divulgados.
O avanço ocorre em um cenário geral de redução das candidaturas. As eleições de 2026 têm cerca de 30% menos candidatos que 2022, resultado de mudanças na legislação eleitoral, fortalecimento das federações partidárias e redução do número de legendas com condições de lançar chapas competitivas.
Nesse contexto, o aumento das candidaturas LGBT+ ganha significado político. Mesmo com menos nomes concorrendo de maneira geral, cresce o número de candidatos que assumem publicamente uma identidade ou orientação LGBT+ e buscam transformar essa representação social em representação institucional.
O levantamento também aponta uma maior dispersão partidária. Se em eleições anteriores as candidaturas LGBT+ estavam mais concentradas em partidos de esquerda e centro-esquerda, o fenômeno agora aparece em um espectro partidário mais amplo. Isso indica que a presença de candidatos LGBT+ deixou de ser uma característica exclusiva de determinadas legendas.
O crescimento também é acompanhado pelo aumento das candidaturas de pessoas trans. Dados do TSE apontam 107 candidaturas trans em 2026, contra 79 identificadas em 2022, uma alta de aproximadamente 35%. A maior parte concorre a vagas de deputado estadual e federal.
Apesar do avanço, candidatura não significa necessariamente representação. O grande teste estará nas urnas: quantos desses nomes conseguirão transformar a presença nas chapas em mandatos? A experiência recente mostra que o aumento da diversidade eleitoral ainda não garante distribuição proporcional de recursos, estrutura partidária ou competitividade.
As eleições deste ano, portanto, apresentam uma contradição interessante. Enquanto o número total de candidatos diminui de forma expressiva, a diversidade de perfis entre os que permanecem na disputa aumenta.
O resultado de outubro ajudará a medir se o recorde de candidaturas LGBT+ representa apenas uma maior abertura das chapas partidárias ou se marca, de fato, uma nova etapa na ocupação de espaços de poder por essa população.







