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Apenas 20% dos principais candidatos a governador têm planos abrangentes para saneamento

Levantamento do Instituto Trata Brasil mostra que 87% citam a universalização, mas somente 26% estabelecem metas concretas para ampliar os serviços

O saneamento básico aparece nos planos de governo dos principais candidatos aos governos estaduais, mas ainda é tratado de forma pouco abrangente pela maioria das campanhas. É o que aponta levantamento do Instituto Trata Brasil, que analisou 62 candidaturas consideradas competitivas nas eleições de 2026.

Segundo o estudo, apenas 13 candidatos, o equivalente a cerca de 20% da amostra, apresentam planos classificados como abrangentes para o setor. Para chegar a essa classificação, foram avaliados quatro eixos: planejamento e regionalização, investimentos, governança e regulação e estabelecimento de metas concretas.

Outros 44 planos foram classificados como transversais, por abordarem dois ou três desses eixos. Cinco propostas tiveram classificação superficial, contemplando apenas um dos pontos analisados.

A universalização do saneamento é o tema mais presente. Ela aparece em 87% dos planos avaliados. O problema, segundo o levantamento, está na falta de compromissos mensuráveis: somente 26% das candidaturas estabelecem metas objetivas para alcançar os resultados previstos.

A drenagem aparece em 76% dos documentos, enquanto o saneamento rural é citado por 66%. Propostas relacionadas a investimentos estão presentes em 58% dos planos, e a regionalização aparece em 45%.

Temas como população vulnerável, regulação, governança de dados e metas verificáveis têm presença menor. Para o Instituto Trata Brasil, a simples menção ao saneamento não representa, necessariamente, um compromisso estruturado com a expansão e melhoria dos serviços.

A avaliação ganha relevância diante do prazo estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento. Até 2033, a legislação prevê que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% conte com coleta e tratamento de esgoto.

O levantamento também aponta diferenças entre as candidaturas à reeleição e os demais concorrentes. Entre nove governadores que tentam permanecer no cargo, quatro apresentaram planos classificados como abrangentes, enquanto entre as outras 53 candidaturas analisadas foram oito.

Na avaliação do instituto, os próximos governos estaduais terão papel importante no cumprimento das metas nacionais de universalização. O período de 2027 a 2030 antecede diretamente o prazo de 2033 e exigirá planejamento, investimentos e acompanhamento dos resultados.

O estudo indica, portanto, que o saneamento já entrou na agenda eleitoral, mas ainda há uma distância significativa entre mencionar a universalização nos programas de governo e apresentar estratégias com metas capazes de permitir a verificação dos avanços ao longo do mandato.

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