Alexandre GuilhermeArquitetura e UrbanismoColuna

O esgotamento sanitário de uma metrópole que não para de crescer: o grande desafio

O esgoto de Goiânia é gerido pela Saneago e coletado por uma ampla rede subterrânea que conduz os efluentes às Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), sendo a principal delas a ETE Dr. Hélio Seixo de Brito.

 

O processo de tratamento combina etapas físicas, químicas e biológicas capazes de remover mais de 90% da carga orgânica, purificando a água antes de devolvê-la ao Rio Meia Ponte.

 

O sistema de esgotamento sanitário da capital goiana integra uma extensa infraestrutura de redes coletoras e interceptores implantadas pela Saneago, responsável por conduzir os efluentes até as estações de tratamento, onde passam pelas seguintes etapas:

 

**Gradeamento**

Logo na chegada à estação, o esgoto bruto passa por grades que retêm materiais grosseiros, como plásticos, garrafas, panos e outros resíduos, protegendo os equipamentos do sistema.

 

**Caixa de areia (desarenação)**

Nessa etapa são removidos materiais pesados, como areia, terra e pedregulhos, evitando desgastes e entupimentos nas tubulações e equipamentos.

 

**Tratamento primário**

O esgoto segue para os decantadores, tanques onde a matéria orgânica sólida se deposita no fundo, formando o lodo, enquanto parte dos poluentes é removida.

 

**Tratamento secundário (biológico)**

Com o auxílio de tecnologias avançadas e do tratamento quimicamente assistido, micro-organismos degradam a matéria orgânica dissolvida, elevando significativamente a eficiência da purificação.

 

**Decantação final e destinação**

O lodo é separado da parte líquida. A água tratada é devolvida ao meio ambiente dentro dos padrões ambientais, enquanto o lodo é desidratado e destinado a aterros sanitários licenciados.

 

Goiânia conta com três principais Estações de Tratamento de Esgoto operadas pela Saneago: a **ETE Dr. Hélio Seixo de Brito**, a **ETE Aruanã** e a **ETE Parque Atheneu**.

 

A ETE Dr. Hélio Seixo de Brito é a maior delas e passou por importantes obras de ampliação, incluindo a implantação do tratamento secundário, aumentando significativamente sua capacidade operacional. Em conjunto, essas estruturas colocam Goiânia entre as capitais brasileiras com os melhores índices de saneamento básico.

 

Embora o sistema de coleta seja referência nacional, o tratamento do esgoto ainda enfrenta desafios relacionados ao crescimento acelerado da cidade e à necessidade constante de expansão da infraestrutura.

 

## Situação atual

 

**Cobertura de coleta**

Goiânia possui índice superior a 98% de cobertura de coleta de esgoto, figurando entre as capitais mais bem atendidas do país, segundo o Instituto Trata Brasil.

 

**Tratamento dos efluentes**

Cerca de 87% do esgoto coletado recebe tratamento antes de ser devolvido aos cursos d’água. Embora esse percentual esteja acima da média nacional, ainda há espaço para ampliar a capacidade de tratamento e reduzir a carga poluidora lançada no Rio Meia Ponte.

 

**Aumento da eficiência**

As ampliações realizadas nas ETEs, especialmente na ETE Dr. Hélio Seixo de Brito, permitiram a implantação do tratamento secundário, elevando a remoção da matéria orgânica para índices superiores a 90% e melhorando significativamente a qualidade da água devolvida ao meio ambiente.

 

## Projetos em andamento

 

Os investimentos atuais concentram-se na ampliação da ETE Dr. Hélio Seixo de Brito (Goiânia II) e na expansão das redes coletoras nas regiões Leste e Sudoeste da capital. Essas intervenções buscam ampliar a eficiência do sistema, fortalecer o tratamento secundário e contribuir para a despoluição do Rio Meia Ponte.

 

Goiânia já apresenta índices de saneamento considerados próximos da universalização e permanece entre as capitais com melhor desempenho no setor. Para manter esse padrão, destacam-se os seguintes projetos:

 

### 1. Modernização e ampliação da ETE Dr. Hélio Seixo de Brito

 

Principal estação de tratamento da capital, atende aproximadamente 1,5 milhão de habitantes. Recebeu investimentos para implantação do tratamento secundário, aumento da remoção de matéria orgânica e sistemas de controle de odores, proporcionando expressiva melhora na qualidade do efluente lançado no Rio Meia Ponte.

 

### 2. Expansão das redes coletoras em áreas periféricas

 

Projetos vêm sendo executados em regiões como Vila Alto da Glória, Residencial Cléa Borges e Parque Flamboyant, utilizando métodos construtivos não destrutivos para implantação de redes e interceptores, reduzindo escavações, minimizando impactos aos moradores e combatendo o lançamento irregular de esgoto.

 

### 3. Liberação de áreas para obras estruturantes

 

Parceria entre a Saneago e a Prefeitura de Goiânia para viabilizar a implantação de coletores-tronco e estações elevatórias, permitindo a expansão da infraestrutura com menor impacto ambiental e maior agilidade na execução das obras.

 

### 4. Investimentos para universalização

 

A Saneago aprovou um plano de investimentos de aproximadamente **R$ 5,8 bilhões** para os próximos cinco anos, destinados à ampliação do abastecimento de água, à universalização do esgotamento sanitário e ao fortalecimento da infraestrutura hídrica em Goiás.

 

## A importância do tratamento de esgoto

 

O tratamento de esgoto é essencial para a saúde pública, a preservação ambiental e a qualidade de vida da população. Além de remover poluentes e microrganismos antes da devolução da água à natureza, reduz a contaminação dos mananciais, protege a fauna aquática, previne doenças e contribui para o desenvolvimento sustentável e a valorização dos espaços urbanos.

**Arquiteto e Urbanista Garibaldi Rizzo**

*Especialista em tratamento de resíduos sólidos e líquidos.*

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