Desabafo de uma cidadã chamada de “miliciana”

19 de março de 2019
Lista Publicada no jornal o Estadão de Domingo 17/03/2019

Com referência à matéria do jornal O ESTADÃO, publicada no dia 17 de março do corrente ano, assinada pelo jornalista José Fucs, tenho a esclarecer o seguinte.

1) Não recebo e jamais recebi um único centavo, tampouco faço parte de nenhum tipo de ação coordenada com a finalidade de publicação de opiniões contra ou a favor de qualquer jornalista, partido ou qualquer político. Ação definida pelo senhor Fucs como verdadeira “milícia virtual” para a prática dos mais variados crimes contra a honra. O que escrevo reflete apenas e tão somente a minha leitura dos fatos, comentados à luz dos valores morais nos quais fui educada e nos quais educo o meu filho. Se votei no atual presidente, que se saiba que o fiz pelo fato do mesmo não ter vergonha de representar esses mesmos valores.

2) Não respondo ou presto contas a qualquer um dos demais citados na referida reportagem. Respondo à minha consciência e às leis. Sendo que inúmeras pessoas citadas na matéria jornalística, também descritas como “milicianas”, eu nem sequer conhecia  – ainda que virtualmente – e que jamais mantive qualquer contato individual ou coletivo com quem quer que fosse.

3) Não tenho e nunca tive intuito ou prática de destruir reputações ou difamar/caluniar quem quer que seja. Apenas faço leitura dos fatos, à luz do mais óbvio senso comum, que parece faltar à certa parcela do jornalismo brasileiro. Se meus escritos parecem contundentes a quem se ofende mais com palavras do que com os descalabros testemunhados pelo cidadão brasileiro diariamente – da mega corrupção sistematizada ao fato de gangues com armas de guerras dominarem áreas inteiras e imporem a lei do terror à população –  é porque tais escritos refletem a indignação de uma cidadã, mulher e mãe.

4) Aliás, tenho sido, há muito, alvo de reiteradas ofensas do mais baixo calão, bem como de inúmeras ameaças à minha vida e integridade física. Tais fatos são de conhecimento acessível à imprensa, posto que por inúmeras vezes relatei pormenorizadamente nas redes sociais a ocorrência desse tipo de situação. No entanto, para o jornalismo que me ataca, ameaças e ofensas a uma mãe e mulher não interessam, pois, no caso em questão, não sou uma radical de esquerda e meu sofrimento não pode ser utilizado para o palanque político de sempre. Vítimas, para a “extrema imprensa” engajada só importam se servirem para reforçar a narrativa vitimizante, maniqueísta e reducionista que sequestrou e infantilizou o debate político brasileiro.

5) Como bacharela em Direito e cidadã, devo lembrar ao autor da irresponsável matéria – e outros jornalistas de mentalidade análoga – que a liberdade de imprensa é corolário do princípio da LIBERDADE DE EXPRESSÃO, consagrado na Constituição da República Federativa Brasileira, no art. 5º, inciso IX.

6) Se os profissionais da grande imprensa têm o direito de criticar, acusar (e tantas vezes destruir reputações – como no caso em tela), eles também estão sujeitos a críticas por parte do cidadão comum. A liberdade de expressão não é monopólio das redações da grande imprensa, mas sim direito de todo cidadão. “O pau que dá em Chico, dá em Francisco”, diriam nossos avós.

7) Aliás, defender a liberdade de expressão não combina com publicação de listas negras daqueles que têm opiniões – ainda que contundentes – contrárias aos interesses e/ou ideologia dominantes nesta ou naquela redação.

8) Senhores editores e jornalistas: querem voltar a ter a credibilidade e os leitores perdidos? Limitem-se a informar, sob todos os ângulos possíveis, os fatos ao invés de formar “estórias” e narrativas pré-concebidas nas quais o bonzinho e malvado já estão pré-determinados em suas mentes preconceituosas antes da apuração e compreensão dos fatos. Passem a respeitar a inteligência de seus leitores! Sigam os manuais de bom jornalismo! Abdiquem da militância político-partidária disfarçada de jornalismo!

9) Por fim, como a matéria em questão, que de forma leviana e absurdamente imprudente, imputa à minha pessoa a participação em grupo organizado com o objetivo de “destruir reputações” e insultar pessoas, comunico que o caso já está em poder dos meus advogados, para fins de avaliação da necessidade e conveniência da tomada das medidas legais cabíveis, nos foros competentes, contra os responsáveis pela publicação do mencionado artigo.