A finança do casal

10 de junho de 2018
José Mario Carvalho dos Santos
por

Graduado em Administração de Empresas. Especialização em Gestão Estratégica de Empresas. Orientador em Finanças Pessoais pelo Forex (2001). Educador Financeiro, Assessoria, Orientação, Organização e Planejamento Financeiro. Diretor da consultoria Clínica de Finanças.

Casamento é a união de duas pessoas que resolveram dividir tudo. E as finanças também entram nesse pacote. Mas há casais que passam por desgastes por simplesmente não saber como conversar sobre dinheiro com seu cônjuge.

Existe uma lenda ainda muito em voga no Brasil que diz “o que eu ganho é segredo e ninguém mais precisa ficar sabendo”. Dessa forma, muitos projetos conjuntos que poderiam impulsionar aquele casamento acabam se perdendo em função dessa desconfiança tola. O sincronismo do casal – ou da família – quanto às finanças otimiza os esforços e potencializa os resultados. E não é difícil constatar isso: basta consultar casais e famílias bem-sucedidas na vida. Confiança é tudo.

Para o casal é importante sentar e estabelecer metas. Mais que importante, é fundamental se você almeja um relacionamento com mais chances de ser duradouro e não quiser passar por contratempos financeiros. São duas mentes completamente diferentes e, não raro, vieram de ambientes e situações financeiras também diferentes. Além, é claro, do tipo da criação, que raramente é igual. Negligenciar esse cuidado pode ser o início de um rompimento sentimental futuro. É preciso lembrar que boa parte das separações de casais, atualmente, se dá por motivos financeiros, despontando aí a infidelidade financeira.

Ainda hoje somos apresentados a casais em que um não sabe o quanto o outro ganha, não sabe as dívidas do parceiro, etc. Isso seria mais ou menos como um barco de remadores, onde cada um dos ocupantes rema conforme um objetivo diferente. O resultado pode ser desastroso. Existe também a dúvida sobre a melhor forma de conduzir as finanças do casal: se com conta-conjunta ou separadas; se com um ‘caixa’ único para o pagamento das despesas ou cada um paga uma parte delas. É preciso dizer que não há uma ‘receita do bolo’: ter contas separadas proporciona uma maior liberdade de uso dos recursos individuais. Porém, como dissemos, é importante traçarem objetivos comuns, estabelecendo metas para o casal. A movimentação de uma conta-conjunta demonstra a confiança que um tem no outro.

Por fim, um assunto um tanto espinhoso: casa própria e filhos. A compra da casa própria não deve ser um objetivo imediato dos recém-casados. A menos que ambos tenham os recursos suficientes para a compra sem impacto no orçamento familiar. Isso porque é no início da vida a dois que alguns pontos precisam ser fortalecidos, e um financiamento longo, de décadas, pode não ser uma boa decisão. Além do mais, na eventualidade de uma separação precoce, o financiamento se tornaria um problema e tanto. Com relação aos filhos funciona de forma semelhante: a recomendação é que primeiro sejam atendidas aquelas necessidades mais urgentes, como terminar a faculdade ou estabilizar financeiramente a família. Tanto o imóvel quanto os filhos demandam investimentos regulares e alguns imprevisíveis. E isso pode ser o estopim para uma crise familiar.