
Cláudia da Silva Lira – Vice-prefeita de Goiânia
Goiânia possui uma gastronomia forte, diversa e reconhecida. Seus restaurantes, sabores e profissionais também fazem parte da identidade da cidade. Mas uma cidade só é verdadeiramente de todos quando as possibilidades que ela oferece podem ser vivenciadas por todos. Democratizar a cidade significa também permitir que crianças de diferentes realidades conheçam seus espaços, sua cultura, sua gastronomia e suas possibilidades.
Nossas crianças também devem ter o direito de experimentar a gastronomia da cidade onde vivem. E outubro nos convida a olhar para a infância. Mais do que celebrar as crianças, este mês também nos lembra de uma responsabilidade: pensar que experiências estamos proporcionando a elas e que relação queremos que construam com a cidade onde vivem.
Recentemente, acompanhei de perto uma dessas experiências. Crianças atendidas pela rede socioassistencial de Goiânia participaram da Semana da Criança, iniciativa da Abrasel e do Sindibares, em parceria com a Prefeitura de Goiânia, que reúne cerca de 1.500 crianças em restaurantes da capital. Entre brincadeiras, descobertas e novos sabores, pude observar algo que vai muito além de uma atividade de lazer: o encantamento de quem está conhecendo uma parte da própria cidade.
Quando uma criança entra em um restaurante, conhece os profissionais, observa uma cozinha, experimenta um prato diferente e faz perguntas, ela está descobrindo mais do que uma refeição. Está ampliando seu repertório sobre o mundo. Pode despertar uma curiosidade, imaginar uma profissão, descobrir um novo interesse. E, principalmente, pode perceber que aquele espaço também pode ser seu.
É assim que o pertencimento começa a ser construído. Por isso, considero tão importante a união que tornou essa experiência possível. O poder público tem o papel de articular e criar condições para que as políticas aconteçam, mas uma cidade não se constrói apenas dentro da estrutura pública. Quando entidades, empreendedores e restaurantes abrem suas portas e assumem também uma responsabilidade social, todos participam da construção de uma cidade mais inclusiva.
Essa parceria também mostra que responsabilidade social e desenvolvimento podem caminhar juntos. Ao receber as crianças, o setor gastronômico não apenas oferece uma experiência: conhece melhor a diversidade do público que existe em nossa cidade e ajuda a torná-la mais acessível.
Política pública, portanto, não é somente oferecer serviços. É também criar oportunidades de convivência, descoberta e participação. É fazer com que as pessoas se sintam parte daquilo que está sendo construído.
E isso é especialmente importante na infância. São nessas primeiras experiências que muitas de nossas memórias afetivas são formadas. Talvez aquelas crianças não se lembrem, daqui a alguns anos, exatamente do que comeram naquele dia. Mas poderão se lembrar de como se sentiram: acolhidas, curiosas, felizes e pertencentes.
Goiânia completa 93 anos em um momento em que celebramos uma cidade “feita pra toda vida e para todo mundo”. Para mim, essa ideia também precisa começar na infância.
Porque uma cidade para todos é aquela em que todos podem vivê-la. E quando abrimos a cidade para nossas crianças, abrimos também a possibilidade de que elas descubram, desde cedo, que fazem parte dela e que também poderão ajudar a construí-la.







