Vice de Daniel não disputa 2026. Disputa 2030

Caso vença as eleições em outubro, a expectativa, amplamente compartilhada nos bastidores, é que Daniel deixe o Palácio das Esmeraldas no começo de 2030 para disputar uma vaga no Senado. Com isso, o vice herdará o governo durante os meses finais do mandato. Parece pouco. Não é. Em política, nove meses sentado na principal cadeira do Estado podem valer uma carreira inteira.
A recente fala do ex-senador Luiz do Carmo, ao projetar que, caso seja escolhido vice de Daniel Vilela, ficará nove meses no governo e depois “o grupo vai indicar quem será governador”, talvez tenha revelado mais do que pretendia. Na tentativa de tranquilizar os aliados, acabou expondo a estratégia que ronda a escolha do vice: a ideia de que o futuro ocupante do cargo seria apenas um administrador temporário, alguém incumbido de manter a cadeira aquecida até a volta de Ronaldo Caiado ou de outro nome escolhido pelo grupo.
Na teoria, o roteiro parece simples. Na prática, a política nunca funciona assim.
Quem conhece a história política brasileira sabe que o poder transforma. A cadeira de governador não é um banco de espera. É um palco. Quem assume o comando do Estado, ainda que por poucos meses, passa a inaugurar obras, anunciar investimentos, liderar agendas, construir relações institucionais e ocupar diariamente o noticiário. O cargo cria musculatura política.




