Câmara sem rumo

A reação recente dos vereadores expõe menos um embate institucional consistente e mais um velho padrão da política local: a lógica do “morde e assopra”. A Câmara reclama, ameaça endurecer o discurso, ensaia medidas jurídicas, mas segue sem apresentar uma posição clara e coletiva sobre sua relação com o prefeito Sandro Mabel. Falta direção política e sobra conveniência.
Emendas como pauta
O Legislativo oscila conforme o humor do caixa do Executivo. Quando as emendas andam, o tom é conciliador; quando travam, surgem indignação e bravatas. Essa dependência financeira corrói o papel fiscalizador da Casa e enfraquece sua autoridade perante a sociedade.
Sem articulação
Ao invés de assumir uma postura institucional firme, previsível e transparente, a Câmara prefere negociar caso a caso, vereador a vereador, mantendo uma relação marcada mais por pressão circunstancial do que por princípios. No fim, quem perde é a cidade, refém de um jogo político curto e pouco republicano.






